Jackson Cionek
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As Cinco Dimensões da Experiência

As Cinco Dimensões da Experiência

Toda experiência humana precisa de um espaço para acontecer.

Quando uma pessoa olha para uma árvore, escuta um rio, estuda uma fórmula ou lembra de alguém amado, cada percepção mobiliza uma constelação multimodal dentro do Corpo-Território.

Essa constelação envolve imagem, som, cheiro, memória, postura, respiração, tensão muscular, interocepção, propriocepção, pertencimento e qualia.

Por isso, a Neurociência Decolonial propõe que toda experiência humana se organiza em cinco dimensões:

três dimensões espaciais, uma dimensão de movimento e uma dimensão de qualia.

As três dimensões espaciais dão forma, posição, profundidade, distância e extensão ao percebido.

A dimensão de movimento permite transformação. Uma lembrança se aproxima. Uma emoção cresce. Uma postura muda. Uma possibilidade ganha força. Um sentido se reorganiza.

A dimensão de qualia dá brilho subjetivo à experiência. É o modo como algo é sentido por aquele Corpo-Território.

Uma árvore centenária, por exemplo, pode abrir mundos diferentes.

Para um botânico, ela pode ativar espaços de classificação, espécie, raiz, tronco, folha, fotossíntese, ecossistema, evolução e método científico.

Para uma pessoa indígena diante de uma árvore de seu território, essa mesma árvore pode ativar ancestralidade, proteção, canto, cura, infância, cheiro da mata, sons do território, memória coletiva e responsabilidade com a vida.

A mesma árvore abre diferentes espaços de representação em diferentes Corpo-Território.

O botânico pode ativar memórias semânticas, linguagem técnica, comparação morfológica e desejo de compreender.

A pessoa indígena pode ativar memória episódica, pertencimento, linhagem, corpo-terra, oralidade, presença ancestral e cuidado territorial.

O percebido é sempre o encontro entre o mundo e a reorganização multimodal do Corpo-Território.

A representação espacial envolve interocepção: respiração, frequência cardíaca, tensão visceral, pH, fome, sede, dor, conforto e regulação autonômica.

Envolve propriocepção: postura, tônus muscular, rigidez, equilíbrio, direção do olhar, orientação espacial e preparação para movimento.

Envolve memória: imagens visuais, sons, cheiros, palavras, lembranças semânticas, lembranças episódicas e marcas afetivas.

Envolve pertencimento: família, cultura, língua, território, bioma, comunidade e história compartilhada.

Cada percepção atravessa o Corpo-Território como uma reorganização viva.

Inteligência DNA e Inteligência Tecnológica

A Inteligência DNA constrói o Corpo-Território que sente, regula, lembra, esquece, percebe, se move e transforma estímulos em experiência.

A Inteligência Tecnológica organiza representações externas: livros, mapas, gráficos, sensores, bancos de dados, IA, modelos matemáticos e simulações.

O botânico pode usar uma IA para identificar a espécie da árvore, cruzar dados climáticos, comparar imagens e gerar hipóteses.

A pessoa indígena pode reconhecer aquela árvore pelo cheiro, pelo som das folhas, pela memória dos mais velhos, pela relação com o rio, pelo tempo de frutificação e pelo corpo que aprendeu a viver naquele território.

A IA organiza dados sobre a árvore.

O Corpo-Território vive a árvore.

A ciência mede aspectos da árvore.

O pertencimento revela modos de relação com ela.

A Neurociência Decolonial explora como diferentes formas de conhecimento ampliam a compreensão da experiência humana.

Para classificar, medir e comparar, a tecnologia oferece potência extraordinária.

Para viver, pertencer, cuidar e perceber o território, o Corpo-Território manifesta uma inteligência situada, sensível e relacional.

Materialidade científica

EEG, fNIRS, HRV, respiração, GSR, EMG, eye-tracking e comportamento ajudam a inferir a ativação desses espaços multimodais.

EEG observa mudanças rápidas na dinâmica neural.

fNIRS observa alterações hemodinâmicas relacionadas à demanda metabólica cortical.

Medidas fisiológicas indicam regulação autonômica, tensão corporal e engajamento.

A integração EEG-fNIRS tem sido destacada como estratégia promissora para combinar resolução temporal e informação metabólica em estudos cognitivos, clínicos e comportamentais. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)

Essas medidas registram rastros fisiológicos associados à experiência vivida e aos processos que acompanham o qualia.

Fechamento

Um espaço de representação é multimodal.

Ele envolve corpo, memória, movimento, sentido, qualia e pertencimento.

A árvore do botânico e a árvore indígena compartilham o mesmo tronco físico, enquanto abrem mundos internos distintos.

A Neurociência Decolonial nasce quando a gente estuda esses mundos com ciência, evidência e respeito às condições de contorno.

Toda experiência humana acontece em um Corpo-Território.

E todo Corpo-Território transforma o mundo percebido em espaço vivo de existência.


Referências científicas pós-2021

Parma, C. et al. (2024). An Overview of Bodily Awareness Representation and Interoception.
Relevância: revisa interocepção, propriocepção e consciência corporal como bases da percepção de si e da experiência corporificada.

Palermo, L. et al. (2023). The Body in Neurosciences: Representation, Perception and Space Processing.
Relevância: discute percepção multissensorial do corpo, interocepção, representação mental e relação com espaços peripessoais, interpessoais e extrapessoais.

Barrett, L.; Stout, D. (2024). Minds in Movement: Embodied Cognition in the Age of Artificial Intelligence.
Relevância: aproxima cognição corporificada, movimento, ambiente e debates atuais sobre inteligência artificial.

Chen, J. et al. (2024). A Cross-Disciplinary Review of the fNIRS-EEG Dual-Modality Imaging.
Relevância: revisa avanços da integração EEG-fNIRS para investigar atividade neural, metabolismo cortical, cognição e aplicações clínicas.

Li, R. et al. (2022). Concurrent fNIRS and EEG for Brain Function Investigation: A Systematic, Methodology-Focused Review.
Relevância: mostra a complementaridade entre EEG e fNIRS, com EEG oferecendo alta resolução temporal e fNIRS contribuindo com informação hemodinâmica/metabólica.

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Jackson Cionek

New perspectives in translational control: from neurodegenerative diseases to glioblastoma | Brain States