Jackson Cionek
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Carnaval é Tecnologia de Regulação Coletiva

Carnaval é Tecnologia de Regulação Coletiva

Quando a gente entra no Carnaval de verdade, não é só “festa”: é regulação coletiva do corpo. Eu sinto isso como um ajuste fino em massa: o ritmo organiza a respiração, a repetição solta tensões, a multidão vira um só pulso por alguns instantes. E nesse pulso, eu não preciso “explicar” pertencimento — eu vivo pertencimento.

O que me interessa aqui é o mecanismo: sincronia (corpos no mesmo tempo) cria um tipo de experiência compartilhada que pode fortalecer identidade comunitária e empatia. É como se o corpo coletivo produzisse “efervescência” e isso virasse cola social. 

No Jiwasa, a gente usa o Carnaval como tecnologia: não para fugir do mundo, mas para voltar ao corpo e lembrar que pertencimento pode existir sem guerra.


Política que Regula o Corpo — Pertencimento Antes do Dogma

Eu penso política como aquilo que mexe no nosso sistema nervoso sem pedir licença. Se a política aumenta ameaça, a gente vive em alerta; se ela aumenta previsibilidade e cuidado básico, a gente respira e coopera.

No modo Jiwasa, política boa é a que regula o corpo do coletivo: reduz o medo que isola, abre espaço para confiança mínima, e cria condições para coordenação real. A ciência ajuda a gente a não romantizar: quando há sincronia fisiológica entre pessoas em grupo, isso pode se associar a coesão de grupo — ou seja, o coletivo “encaixa” melhor.
E quando olhamos sincronia como fenômeno multimodal (comportamental, neural, fisiológica), vemos que essas camadas podem caminhar juntas em certos contextos sociais. 

Então eu repito: antes do dogma, pertencimento. Sem pertencimento, o corpo vira soldado.


Atenção Não é Canal — É Estado do Corpo no Coletivo

Eu não trato atenção como um “canal” isolado. Quando a minha atenção muda, meu corpo muda junto: respiração, postura, tônus, expectativa. No coletivo isso fica ainda mais forte — o grupo pode puxar minha atenção para criação… ou para caça de ameaça.

O ponto prático é: eu posso treinar atenção como estado corporal. Quando eu volto para a respiração (não como técnica bonita, mas como ancoragem), eu reorganizo redes que sustentam foco. Há evidência de que a interocepção da respiração se relaciona com mudanças de conectividade ligadas à atenção (rede dorsal atencional / controle), ajudando a preservar o foco sob demanda. 

No modo Jiwasa, a pergunta muda: “no que eu presto atenção?” vira “em que estado eu estou com vocês?


Espiritualidade que Regula o Corpo — Pertencer Sem Virar Soldado

Eu chamo espiritualidade de tecnologia quando ela devolve corpo: silêncio que abre espaço, canto que organiza, rito que dá chão, comunidade que acolhe sem sequestrar. O problema é quando vira militarização: medo, culpa, inimigo fixo, obediência automática.

Um jeito simples de pensar é: rituais e padrões repetitivos podem funcionar como redução de ansiedade ao gerar estrutura e previsibilidade no comportamento. Há estudo experimental pré-registrado mostrando que padrões comportamentais ritualizados/preditivos podem ajudar a reduzir ansiedade em certas condições.

Então, no Jiwasa, a gente escolhe uma espiritualidade que regula sem capturar: pertencer sem virar soldado — e com isso, a crítica vira parte do cuidado, não uma ameaça.


Referências (pós-2021):

  1. Rincón-Unigarro et al. (2025)Ritual’s collective effervescence, awe, and social identity.
    Mostra como experiências rituais coletivas (com “efervescência”) podem fortalecer identidade e vínculos no contexto de festa/ritual.

  2. Tomashin et al. (2022)Interpersonal Physiological Synchrony Predicts Group Cohesion.
    Liga sincronia fisiológica entre pessoas à coesão do grupo — base direta para “regulação coletiva”. 

  3. Ohayon et al. (2024)Multimodal interpersonal synchrony: systematic review and meta-analysis.
    Integra sincronia comportamental, neural e fisiológica, ajudando a sustentar a ideia de “coletivo como sistema”.

  4. Lang et al. (2022)Effects of predictable behavioral patterns on anxiety (ritualized behavior).
    Sustenta o ponto de que repetição/padrão pode reduzir ansiedade e estabilizar estado — chave para política/espiritualidade como regulação. 

  5. Farb et al. (2023)Interoceptive Awareness of the Breath Preserves Attention…
    Compatível porque conecta interocepção da respiração a mecanismos de atenção/controle, reforçando “atenção como estado do corpo”. 



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Jackson Cionek

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