Entre o voto e a transcendência - quando o sentir colore uma realidade que não vemos inteira
Entre o voto e a transcendência - quando o sentir colore uma realidade que não vemos inteira
O Corpo-Território sente uma parte. A realidade continua acontecendo em muitas camadas.
Uma pessoa abre uma rede social.
Lê uma notícia.
Sente indignação.
Compartilha.
Passa a perceber determinado candidato de outra maneira.
Meses depois, vota.
Outra pessoa entra em uma prática coletiva.
Respira intensamente.
O corpo começa a mudar.
Surge formigamento.
A percepção do espaço se modifica.
As fronteiras do eu parecem menos definidas.
A experiência é profunda.
Ela recebe uma palavra:
transcendência.
O que essas duas situações têm em comum?
Em ambas, alguma coisa realmente aconteceu no Corpo-Território.
Mas aquilo que foi sentido não mostrou necessariamente todas as camadas materiais que participaram da experiência.
É aqui que voto e transcendência começam a conversar.
Uma realidade pode acontecer em várias camadas ao mesmo tempo
O pesquisador brasileiro Alfredo Pereira Jr. propõe no Monismo de Triplo Aspecto que experiência consciente envolve conjuntamente:
materialidade do corpo vivo,
padrões dinâmicos de informação,
sentiência.
Não são três mundos independentes.
São aspectos de uma realidade integrada. Em sua formulação recente, Pereira também propõe a Qualiômica como campo voltado à experiência qualitativa em primeira pessoa, mantendo a diferença entre aquilo que conseguimos medir de fora e aquilo que o Corpo-Território sente por dentro. (ANPOF)
BrainLatam extrapola essa ideia para pensar camadas de materialidade interligadas:
molecular,
metabólica,
respiratória,
cardiovascular,
neural,
interoceptiva,
relacional,
informacional,
social,
institucional,
territorial.
Não são realidades diferentes.
São diferentes escalas nas quais acontecimentos da mesma realidade podem adquirir movimento.
Uma mudança em uma camada pode modificar probabilidades em outra sem que o Corpo-Território perceba toda a cadeia.
Damasio: antes de interpretar o mundo, o organismo já está sentindo a si mesmo
Antonio e Hanna Damasio propuseram em 2024 que uma mente consciente depende continuamente de sentimentos interoceptivos, imagens produzidas a partir da perspectiva sensorial do organismo e integração desses elementos numa experiência subjetiva.
Em outras palavras, não existe primeiro um observador neutro e depois um corpo.
O organismo já chega ao acontecimento:
respirando,
mantendo temperatura,
recebendo informações viscerais,
percebendo posição corporal,
regulando energia,
carregando memórias.
E é a partir desse organismo que uma notícia, uma conversa política ou uma experiência ritual será percebida. (MIT Press Direct)
Isso nos leva a uma distinção central:
sentir é verdadeiro como acontecimento do Corpo-Território. Mas sentir não revela automaticamente todas as causas materiais do acontecimento.
Da notícia ao voto: quantas camadas existem entre uma imagem e uma decisão?
Imagine uma postagem política.
Existe primeiro um acontecimento.
Depois alguém o seleciona.
Recorta uma imagem.
Escolhe uma frase.
Publica.
Um algoritmo decide parte de sua visibilidade.
A imagem chega à retina.
As palavras ativam repertórios semânticos.
Memórias anteriores participam da interpretação.
Surge uma emoção.
O estado corporal muda.
A pessoa sente:
raiva,
medo,
confiança,
esperança,
aversão,
proximidade.
Depois explica esse sentir.
Finalmente pode transformar essa explicação em ação política.
Podemos representar:
acontecimento
→ recorte informacional
→ algoritmo/distribuição
→ percepção sensorial
→ memória
→ emoção
→ fisiologia
→ qualia
→ interpretação
→ decisão
→ voto.
O eleitor quase nunca percebe conscientemente todas essas camadas.
Ele percebe principalmente:
“eu não gosto dele.”
ou:
“eu confio nela.”
O sentir é real.
Mas sua origem é mais complexa.
Redes sociais realmente podem participar do voto
Pesquisadores brasileiros Pedro Mundim, Fábio Vasconcellos e Lucas Okado analisaram dados do Estudo Eleitoral Brasileiro e mostraram que, na eleição presidencial de 2018, usar Facebook, WhatsApp e YouTube como fontes de informação política esteve associado a chances quase duas vezes maiores de voto em Jair Bolsonaro, mesmo considerando outras variáveis políticas e ideológicas. Como é um estudo observacional, isso não significa que as plataformas sozinhas “causaram” os votos, mas mostra que tratá-las apenas como canais neutros de transmissão é insuficiente. (SciELO)
Em 2024, um experimento com 1.033 eleitores chilenos, conduzido por Andrés Mendiburo-Seguel, Patricio Navia e colaboradores, mostrou algo ainda mais direto: vídeos de candidatos utilizando humor modificaram emoções, simpatia e a probabilidade declarada de voto. Para um candidato, o efeito apareceu principalmente pelo aumento de emoções positivas; para o outro, pela redução de emoções negativas. (Frontiers)
Isso não significa:
“uma emoção controla um eleitor.”
Significa:
mudar o sentir pode mudar a probabilidade de uma decisão política.
A realidade da mídia não é necessariamente a realidade da relação
Aqui Celso Amorim oferece uma imagem política especialmente interessante.
Em Laços de confiança, publicado em 2022, Amorim revisita relações diplomáticas entre países sul-americanos com posições políticas muitas vezes profundamente diferentes. (Google Books)
Ao explicar a relação com o então presidente colombiano Álvaro Uribe, Amorim lembra que não havia afinidade ideológica entre eles.
Mesmo assim, havia confiança.
Os compromissos assumidos dentro da relação diplomática continuavam tendo valor.
Amorim também lembra que a Unasul não foi formada por países que pensavam da mesma maneira: Colômbia, Venezuela, Bolívia, Peru e outros possuíam governos e projetos políticos bastante diferentes, mas ainda era possível construir espaços de integração. (Blog Saraiva Educação (GEN))
BrainLatam faz aqui uma leitura própria.
Um diplomata experiente precisa conseguir distinguir:
a declaração pública,
a cobertura midiática,
a disputa ideológica,
o interesse nacional,
a relação pessoal,
o compromisso institucional.
São camadas diferentes.
Se reagirmos apenas ao colorido emocional produzido por uma manchete, podemos confundir uma camada com todas as outras.
Talvez diplomacia seja justamente a capacidade de continuar percebendo outras camadas quando uma delas está muito intensa.
Agora façamos o mesmo movimento com a transcendência
Uma experiência respiratória intensa também possui camadas.
Imagine uma prática coletiva de respiração.
Existe:
ritmo,
música,
outras pessoas,
expectativa,
movimento,
postura,
memória cultural.
Depois a ventilação muda.
O CO₂ muda.
O pH muda.
A circulação cerebral muda.
A relação entre respiração e coração muda.
A atividade neural também pode mudar.
Tudo isso entra na interocepção.
Algumas dessas diferenças ganham qualia.
A pessoa sente:
expansão,
unidade,
presença,
dissolução,
luz,
pertencimento.
Depois surge a interpretação.
Podemos escrever:
ritual
→ movimento
→ ventilação
→ CO₂/pH
→ circulação cerebral
→ atividade neural
→ interocepção
→ qualia
→ linguagem
→ interpretação transcendente.
Assim como no voto:
o sentir acontece de verdade, mas o sentir não mostra sozinho toda a cadeia que o produziu.
Respiração intensa realmente modifica a materialidade
Um estudo de 2025 acompanhou participantes experientes durante práticas de Holotropic e Conscious-Connected Breathwork.
Nos participantes que realizaram hiperventilação ativa, o ETCO₂ caiu fortemente. A redução de CO₂ apresentou associação com a intensidade dos estados alterados relatados. Alguns participantes alcançaram ETCO₂ entre aproximadamente 10 e 20 mmHg durante a prática. (DOI)
Em 2026, outro estudo encontrou redução média de 45,5% no fluxo sanguíneo cerebral global da substância cinzenta durante high-ventilation breathwork.
Mas algo importante aconteceu:
a intensidade subjetiva da experiência não foi explicada simplesmente pelo tamanho da redução do fluxo sanguíneo.
Também não houve uma queda significativa da conectividade da DMN no grupo como um todo. (PubMed)
Mais uma vez:
muitas camadas.
E o DMT?
Aqui existe uma hipótese fascinante, mas precisamos evitar transformá-la em Fé Cega científica.
O organismo humano produz N,N-dimetiltriptamina — DMT — endogenamente.
A enzima INMT, relacionada a uma das vias conhecidas de síntese de DMT, apresenta expressão em diferentes tecidos humanos e níveis particularmente elevados no pulmão e adrenal. Revisões recentes ressaltam que o pulmão é um dos locais relevantes na investigação da bioquímica periférica de INMT e das triptaminas metiladas. (PubMed Central (PMC))
Isso torna biologicamente interessante perguntar:
mudanças respiratórias profundas poderiam modificar produção, metabolismo ou distribuição de DMT endógeno, inclusive em tecidos pulmonares?
É uma pergunta legítima.
Mas hoje precisamos dizer:
não temos demonstração em humanos de que uma técnica respiratória provoque liberação pulmonar de DMT em concentração suficiente para produzir um estado psicodélico.
A revisão de 2025 sobre DMT endógeno discute fatores como hipóxia, estresse, alcalinização e regulação de INMT como hipóteses relevantes para sua produção, mas reconhece que sua função fisiológica e sua concentração efetiva em humanos continuam pouco compreendidas. (PubMed)
Portanto:
pulmão + INMT + DMT endógeno = materialidade biologicamente plausível.
Mas:
respiração específica → DMT pulmonar → transcendência = hipótese ainda não demonstrada.
Esse é exatamente o tipo de hipótese que podemos medir
Em vez de repetir:
“breathwork libera DMT”
poderíamos criar um NeuroDesafio BrainLatam.
Registrar durante diferentes práticas:
ECG,
RespHRV,
duas faixas respiratórias,
ETCO₂,
SpO₂,
EEG,
NIRS,
movimento,
e relatos em primeira pessoa.
Em estudos específicos, acrescentar coleta bioquímica com técnicas sensíveis para DMT e metabólitos antes, durante e após determinadas condições respiratórias.
A pergunta deixa de ser:
“DMT explica transcendência?”
e passa a ser:
“quais camadas mudaram, em que ordem e quais delas predizem melhor diferentes aspectos da experiência?”
Essa é uma diferença enorme.
Qualia colore a realidade
Alfredo Pereira Jr. chama nossa atenção precisamente para aquilo que a terceira pessoa não substitui:
o sentir.
Um equipamento pode registrar:
ETCO₂ = 18 mmHg.
Mas a pessoa não sente:
18 mmHg.
Ela pode sentir:
leveza,
medo,
expansão,
presença.
Da mesma maneira, uma análise de rede pode registrar:
milhares de compartilhamentos.
O eleitor não sente:
centralidade de rede = 0,62.
Sente:
“todo mundo está falando disso.”
O qualia é o colorido que determinada materialidade adquire para aquele Corpo-Território.
E esse colorido pode participar tanto:
do voto
quanto:
da transcendência.
O grande erro é confundir o colorido com toda a realidade
Uma notícia pode provocar medo verdadeiro sem que o acontecimento seja exatamente como foi narrado.
Uma experiência respiratória pode provocar unidade verdadeira sem que a primeira explicação bioquímica ou metafísica seja necessariamente correta.
Como já formulamos:
Uma narrativa falsa pode produzir amizade verdadeira.
Uma explicação equivocada pode produzir alívio verdadeiro.
Uma crença pode reduzir uma tensão real.
E:
aquilo que meu sentir confirma primeiro é que meu Corpo-Território conseguiu chegar àquele estado. O que causou esse estado e o que ele significa continuam abertos.
Sentir muda o voto
Esta talvez seja a formulação política central deste blog:
o sentir não precisa revelar toda a realidade para modificar o voto.
Um eleitor não precisa conhecer:
o algoritmo,
o financiamento,
o contexto diplomático,
a edição da imagem,
as estatísticas,
a história completa.
Ele pode votar a partir da realidade fenomenológica que conseguiu construir.
Por isso o Território Informacional importa.
Pesquisa brasileira publicada em 2026 sobre eleições municipais também conclui que algoritmos, emoções e visibilidade digital transformam exposição online em capital político e redefinem relações de poder eleitoral. (SciELO Brazil)
O problema não é que sentir seja inimigo da democracia.
Seria impossível decidir sem sentir.
O problema aparece quando:
uma camada emocionalmente intensa impede que outras camadas tenham oportunidade de ser percebidas.
Sentir também muda a transcendência
O mesmo vale para uma experiência profunda.
Quando o Corpo-Território muda materialmente, o sentir muda.
E, quando o sentir muda, pode mudar também:
a narrativa sobre si,
o pertencimento,
a percepção do tempo,
a relação com a morte,
a própria ideia de realidade.
Isso pode transformar uma vida.
Mas a intensidade da transformação não obriga uma única interpretação.
A transcendência talvez possa ser definida, na hipótese BrainLatam, de maneira diferente:
não como descobrir uma explicação final, mas como conseguir perceber além do ótimo local através do qual normalmente nos percebemos Ser.
Celso Amorim talvez nos ofereça uma pista metodológica
Voltemos à diplomacia.
Uribe e o governo brasileiro podiam divergir ideologicamente.
A camada pública podia ser conflitiva.
Mas outra camada podia manter confiança e compromisso.
Amorim resume essa capacidade como interlocução plural: países distintos podiam cooperar sem precisar transformar diferença em impossibilidade de relação. (Blog Saraiva Educação (GEN))
Talvez possamos aprender algo com isso para nossa própria consciência.
Uma emoção pode dizer:
“isso é terrível.”
E outra camada pode perguntar:
“o que mais está acontecendo?”
Uma experiência pode dizer:
“encontrei a resposta.”
E outra camada pode responder:
“talvez; vamos continuar investigando.”
Isso não diminui o sentir.
Aumenta nosso campo.
O voto e a transcendência precisam da mesma liberdade
Talvez democracia e transcendência compartilhem uma condição:
precisamos conseguir sentir profundamente sem transformar imediatamente o sentir no todo da realidade.
No voto, isso significa perceber que uma notícia é um recorte.
Na transcendência, perceber que um estado corporal extraordinário também é um recorte.
Em ambos:
memória,
informação,
respiração,
metabolismo,
relações,
território,
qualia
continuam acontecendo juntos.
O Corpo-Território dificilmente percebe tudo.
Mas pode aprender a perguntar:
“qual camada estou sentindo agora — e quais outras ainda não consegui perceber?”
Talvez seja essa uma das tarefas mais importantes de uma Neurociência Decolonial.
Não ensinar qual voto está correto.
Não determinar qual transcendência é verdadeira.
Mas devolver ao Corpo-Território a capacidade de diferenciar:
aquilo que sente,
aquilo que interpreta,
e aquilo que ainda não conseguiu perceber.
Porque:
Sentir é verdadeiro. Mas não mostra sozinho a realidade inteira.
E justamente por isso:
pode mudar um voto.
Pode transformar uma transcendência.
E ainda assim deixar a realidade aberta para continuar sendo investigada.
Referências principais
PEREIRA JR., A. (2023). Introdução à Metafísica do Monismo de Triplo Aspecto. ANPOF.
O pesquisador brasileiro propõe materialidade do corpo vivo, padrões dinâmicos de informação e sentiência como aspectos fundamentais e integrados da consciência. (ANPOF)
DAMASIO, A.; DAMASIO, H. (2024). Homeostatic Feelings and the Emergence of Consciousness. Journal of Cognitive Neuroscience, 36(8), 1653–1659.
Propõe que sentimentos interoceptivos contínuos, imagens sensoriais e perspectiva integrada participem da construção de uma mente consciente. (MIT Press Direct)
MUNDIM, P. S.; VASCONCELLOS, F.; OKADO, L. (2023). Redes Sociais e Aplicativos de Troca de Mensagens Instantâneas na Eleição de Jair Bolsonaro como Presidente do Brasil em 2018. Dados, 66(2).
Pesquisadores brasileiros mostram que o uso de Facebook, WhatsApp e YouTube como fontes de informação política esteve fortemente associado às probabilidades de voto, indicando que meios digitais não atuam apenas como canais neutros. (SciELO)
MENDIBURO-SEGUEL, A.; OLAH, A. R.; PÁEZ, D.; NAVIA, P. (2024). Laughing your vote off: the impact of candidates’ humor on voters’ emotions and intentions. Frontiers in Political Science, 6, 1398686.
Experimento com 1.033 eleitores chilenos mostra que comunicação política capaz de modificar emoções também alterou simpatia e probabilidade declarada de voto. (Frontiers)
TERRA, C. F. (2026). A lógica da influência digital: Como as redes sociais redefinem votos. Intercom: Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, 49.
Analisa as eleições brasileiras de 2024 e discute como algoritmos, visibilidade e emoções podem transformar presença digital em capital político. (SciELO Brazil)
AMORIM, C. (2022). Laços de confiança — O Brasil na América do Sul. Benvirá.
O diplomata brasileiro relata como relações de confiança e cooperação puderam ser mantidas entre governos com divergências ideológicas profundas, permitindo à BrainLatam distinguir camada midiática, disputa ideológica e camada relacional-institucional. (Google Books)
HAVENITH, M. N. et al. (2025). Decreased CO₂ saturation during circular breathwork supports emergence of altered states of consciousness. Communications Psychology, 3, 59.
Mostra que hiperventilação circular reduz fortemente ETCO₂ e que essa redução se associa à intensidade de estados alterados, oferecendo uma camada fisiológica mensurável para experiências subjetivamente profundas. (DOI)
SCHMITZ, C. N. et al. (2026). How high ventilation breathwork alters consciousness: Hypoperfusion, network dynamics, and subjective experience. Progress in Neuro-Psychopharmacology & Biological Psychiatry, 149, 111873.
Encontra redução de 45,5% no fluxo cerebral global de substância cinzenta durante high-ventilation breathwork, sem demonstrar que uma única variável vascular explique a intensidade subjetiva. (PubMed)
SCHIMMELPFENNIG, J.; JANKOWIAK-SIUDA, K. (2025). Exploring DMT: Endogenous role and therapeutic potential. Neuropharmacology, 268, 110314.
Revisa DMT endógeno, vias de síntese, INMT e possíveis influências de estresse, hipóxia e condições metabólicas, destacando ao mesmo tempo as grandes incertezas sobre sua função fisiológica em humanos. (PubMed)
Implications of Indolethylamine N-Methyltransferase (INMT) in Health and Disease (2025).
Revisa a distribuição da INMT humana e destaca alta expressão pulmonar e adrenal, tornando o pulmão uma camada material relevante para investigação de DMT endógeno, sem demonstrar que breathwork provoque liberação psicoativa de DMT pulmonar. (PubMed Central (PMC))
BrainLatam (2026). Sentir é verdadeiro. Mas não prova que a crença é verdade.
Distingue a verdade fenomenológica do sentir da validade causal ou metafísica da interpretação atribuída ao estado vivido.
BrainLatam (2026). Camadas do Real / Corpo-Território.
Hipótese de que acontecimentos moleculares, fisiológicos, neurais, informacionais, relacionais, políticos e territoriais podem influenciar-se sem que o Corpo-Território tenha acesso consciente simultâneo a todas essas escalas.
Acho que agora a frase que realmente liga toda a série é:
“O Corpo-Território não precisa perceber toda a realidade para que a realidade modifique aquilo que ele sente; e aquilo que ele sente pode mudar tanto seu voto quanto sua transcendência.”
E a hipótese sobre DMT fica em uma posição científica muito mais interessante: não afirmamos que a respiração libera DMT pulmonar suficiente para produzir transcendência; transformamos justamente essa possibilidade numa pergunta experimental da Neurociência Decolonial.