Jackson Cionek
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Estado Laico Verdadeiramente Democrático e de Direitos - até quando viveremos como nossos pais?

Estado Laico Verdadeiramente Democrático e de Direitos - até quando viveremos como nossos pais?

Consciência 5D, transcendência, os 150 segundos de Hutcheon, as falsas promessas das 72 horas e o Estado-Jiwasa.

Até quando viveremos como nossos pais?

Imagine reconhecer em suas palavras uma crença repetida por seus pais.

Talvez você também reproduza seus medos, expectativas e interpretações.

Algumas heranças oferecem pertencimento. Outras limitam possibilidades que nunca aprendemos a questionar.

Belchior transformou essa tensão entre gerações em Como Nossos Pais.

Mas quero propor outra pergunta:

Estamos realmente mudando ou apenas substituindo as narrativas que aprendemos a repetir?

Na BrainLatam, investigamos a transcendência como um fenômeno que pode acontecer em qualquer aprendizado.

Não precisamos alcançar uma existência superior.

Basta que, diante dos mesmos estímulos, passemos a perceber uma realidade diferente.

Transcender é o movimento de A para B

Imagine observar uma árvore.

Em determinado momento, você reconhece apenas madeira.

Depois aprende sobre fotossíntese, biodiversidade, água e relações ecológicas.

Volta a observar a mesma árvore.

Ela continua ali.

Mas sua realidade percebida mudou.

Transcender é o movimento de A para B, no qual aprendemos a perceber outras possibilidades diante dos mesmos estímulos.

B não precisa ser definitivo nem superior.

Podemos continuar aprendendo.

Na BrainLatam, formulamos:

O Ser não muda; o ser que mudou percebe o que foi mudado.

A continuidade da percepção de Ser permite reconhecer transformações nas configurações do Corpo-Território.

Os 150 segundos de Hutcheon

Em 2023, Evan Hutcheon e colaboradores investigaram alterações cerebrais durante condições experimentais de hipóxia.

Nos primeiros 150 segundos de dessaturação ativa, relações entre atividade elétrica cerebral e oxigenação apresentaram características diferentes das observadas posteriormente.

Quando os pesquisadores analisaram períodos estabilizados, algumas diferenças deixaram de ser estatisticamente significativas.

O estudo não investigou transcendência filosófica.

Tampouco estabeleceu 150 segundos como duração universal das transformações.

Mas oferece uma pergunta extraordinária:

Quanto deixamos de perceber quando observamos apenas A e B, ignorando o movimento que produziu a mudança?

Uma transformação pode possuir características que desaparecem quando seus resultados se estabilizam.

Como criamos o tempo vivido?

Imagine observar o Sol.

A Terra gira e a iluminação modifica-se.

Reconhecemos dia e noite pela periodicidade das relações entre espaços materiais em movimento.

Agora observe seu organismo.

Respiração, circulação, atividade neural e metabolismo possuem diferentes ritmos.

Na Consciência 5D, propomos compreender o tempo vivido a partir das relações entre espaços tridimensionais referenciados, Movimento e Qualia.

Memórias e representações de estímulos participam materialmente desses espaços corporais.

Suas transformações e periodicidades oferecem referências para experimentar duração.

O tempo vivido não precisa ser um recipiente onde colocamos acontecimentos; pode ser investigado como uma relação entre movimentos que percebemos.

Essa proposta não demonstra a inexistência do tempo físico.

Atenção, urgência e dilatação do tempo

Imagine aguardar o resultado de um exame importante.

Cada minuto parece interminável.

Agora imagine uma conversa envolvente.

Uma hora pode parecer desaparecer rapidamente.

O relógio continua registrando intervalos mensuráveis.

Mas nossa experiência mudou.

Na Consciência 5D, investigamos como a atenção amplia determinadas variáveis, modificando suas prioridades dentro da configuração perceptiva.

O estímulo pode já participar materialmente de nossa experiência antes de ocupar o foco atencional.

A atenção não cria sua existência.

Ela pode ampliar seu peso relativo e reorganizar a duração que sentimos viver.

Urgência, emoção e memória também participam, sem produzir necessariamente o mesmo efeito em todas as situações.

As 72 horas: quando a promessa captura a percepção

Imagine receber uma mensagem:

Tudo mudará nas próximas 72 horas.

Um conhecido compartilha.

Outros confirmam.

Vídeos repetem a promessa.

Você começa a esperar.

Uma declaração comum parece um sinal.

Um silêncio parece esconder uma decisão.

Cada notícia pode transformar-se em confirmação.

A promessa de B começa a reorganizar sua percepção de A.

A expectativa concentra atenção e mobiliza emoções.

O tempo vivido pode alongar-se enquanto aguardamos.

A intensidade do sentimento pode produzir convicção, embora não constitua prova.

O sentir testemunha nossa experiência de consciência, mas não comprova a verdade da narrativa que o acompanha.

Quando o futuro prometido nunca chega

O prazo termina.

Nada do que foi anunciado acontece.

Nesse momento, a diferença entre expectativa e acontecimento poderia produzir aprendizado.

Mas surge outra mensagem.

O prazo foi alterado.

Existe um plano secreto.

Precisamos esperar mais 72 horas.

A promessa permanece emocionalmente ativa, enquanto B continua afastando-se.

Não estamos necessariamente transcendendo de A para B. Podemos permanecer reorganizando emocionalmente A para continuar acreditando em um B que nunca chega.

Isso não significa que todas as pessoas envolvidas percam completamente o senso crítico.

Significa que familiaridade, pertencimento e urgência podem dificultar a revisão de certas crenças.

A diferença entre 150 segundos e 72 horas

Os 150 segundos de Hutcheon pertencem a uma transição fisiológica efetivamente mensurada.

As 72 horas representam, nesse exemplo, um prazo narrativo que promete uma transformação não demonstrada.

São fenômenos distintos.

Entretanto, ambos convidam a investigar o que acontece durante a espera ou a mudança.

No primeiro, observar a transição revela informações fisiológicas.

No segundo, investigar a expectativa pode revelar mudanças atencionais, emocionais e interpretativas.

A transcendência não está na intensidade da promessa, mas no aprendizado que transforma nossa percepção diante das evidências.

Reconhecer que estávamos enganados também pode ser transcendência.

O Homem de Madeira e o pertencimento

Imagine crescer ouvindo que determinada narrativa define sua família, religião ou comunidade.

Questioná-la pode provocar medo de exclusão.

Na releitura BrainLatam inspirada pelo Popol Wuj, o Homem de Madeira representa a repetição de narrativas.

O Homem de Barro imagina uma existência superior.

O Homem de Milho reconhece seu pertencimento ao alimento, à cultura e ao Bioma.

Aprender não deveria exigir perder o direito de pertencer.

Podemos continuar compartilhando histórias com nossos antepassados sem permanecer aprisionados às suas interpretações.

Deixa vir.

Deixa ficar.

Deixa Ser.

Pode desobedecer.

Transcender-se Ser.

Deixa ir.

O Brasil também reproduz narrativas herdadas

Imagine duas crianças nascendo no mesmo país.

Uma encontra patrimônio, segurança e oportunidades.

Outra enfrenta limitações reproduzidas durante gerações.

Ambas possuem direitos constitucionais.

Mas suas possibilidades concretas são diferentes.

A CEPAL documenta a persistência da desigualdade e da baixa mobilidade social na América Latina.

Modelos como Homo Economicus e Homem Social descrevem aspectos de nossa existência.

Entretanto, não representam integralmente metabolismo, memória, percepção e território.

Na BrainLatam, propomos o Corpo-Território como unidade mínima e parte indivisível do Estado.

Uma democracia precisa investigar também as condições materiais que limitam nossas escolhas.

Estado-Jiwasa: instituições capazes de aprender

Imagine milhares de pássaros mudando de direção.

A coordenação emerge de relações próximas, sem exigir comando permanente.

Na BrainLatam, utilizamos essa analogia para propor o Estado-Jiwasa.

Cada Corpo-Território participa da inteligência coletiva preservando sua singularidade.

Quem percebe diretamente determinado acontecimento pode contribuir com informações menos mediadas.

As lideranças funcionais poderiam reorganizar-se conforme as necessidades.

Um Estado-Jiwasa não precisa conhecer antecipadamente todas as respostas; precisa reconhecer-se continuamente em seus Corpos-Territórios.

Mas essa coordenação depende de direitos fundamentais, transparência, representação e responsabilidade institucional.

A natureza inspira a hipótese; não substitui a democracia.

Uma IA Personalíssima para cada Corpo-Território

Imagine possuir uma IA Personalíssima como interface com o mundo digital.

Ela interpreta informações, acompanha direitos e protege suas autorizações.

Não decide por você aquilo que deve acreditar.

Seus dados podem contribuir legitimamente para identificar necessidades coletivas.

Em uma epidemia, sinais epidemiológicos protegidos poderiam auxiliar a vigilância do SUS.

Em campanhas coordenadas de desinformação, sinais técnicos poderiam contribuir para reconhecer manipulações.

Sistemas computacionais podem detectar padrões rapidamente, mas decisões exigem comprovação e garantias jurídicas.

A IA Personalíssima precisa ampliar nossa capacidade de perceber, e não substituir nossa consciência por uma interpretação obrigatória.

O Quarto Poder deve preservar as transições

Imagine uma instituição descobrir que determinada decisão produziu consequências inesperadas.

Depois, o governo muda.

O aprendizado desaparece?

Na BrainLatam, propomos o Quarto Poder — Tempo, Valor, Finanças e Memória.

Sua função incluiria preservar registros auditáveis de decisões, custos e resultados.

Não apenas A e B.

Também os movimentos que transformaram uma configuração na outra.

Um Estado que conserva sua memória pode reconhecer seus erros sem condenar as próximas gerações a repeti-los.

A memória institucional deve permanecer contestável, protegendo também a privacidade dos Corpos-Territórios.

Drex Cidadão, Rendimento Bioma e novas possibilidades

Imagine pessoas capazes de estudar, produzir e cuidar sem dedicar toda a atenção à sobrevivência imediata.

Na BrainLatam, o Drex Cidadão propõe investigar participação econômica vinculada à cidadania.

O Rendimento Bioma permitiria reconhecer valores relacionados à preservação ecológica.

A Produção de Excessos investigaria a distribuição de benefícios e responsabilidades.

São hipóteses institucionais, não políticas já implementadas.

Exigem financiamento responsável, investigação científica e decisão democrática.

Uma utopia não se realiza porque acreditamos intensamente nela. Precisamos experimentar os movimentos capazes de transformá-la em realidade.

Até quando viveremos como nossos pais?

Voltemos à árvore.

O estímulo continua semelhante.

Mas agora você percebe relações que antes desconhecia.

Aprendeu.

Transcendeu.

Um Estado laico verdadeiramente democrático e de direitos precisa preservar essa possibilidade para todos.

A laicidade protege diferentes crenças.

A Ciência permite investigar e corrigir interpretações.

A Justiça reconhece consequências.

O Legislativo possibilita novas configurações institucionais.

O Estado-Jiwasa aprende com seus Corpos-Territórios.

Transcender não é abandonar A para acreditar cegamente em B. É aprender durante o movimento, permitindo que os mesmos estímulos revelem possibilidades antes não percebidas.

O Ser não muda; o ser que mudou percebe o que foi mudado.

Talvez nossa maior herança seja permitir que nossos filhos aprendam a perceber realidades que nós ainda não conseguimos imaginar.

E essa transcendência acontece neste único agora.

Referências científicas e latino-americanas comentadas

Hutcheon, E. A. e colaboradores (2023). Associations between spontaneous electroencephalogram oscillations and oxygen saturation across normobaric and hypobaric hypoxia. Human Brain Mapping, 44(6), 2345–2364.

O estudo investiga alterações nas relações entre EEG e saturação de oxigênio durante hipóxia. Os primeiros 150 segundos de dessaturação oferecem um exemplo da importância de investigar transições, em vez de comparar exclusivamente condições estabilizadas. Não constitui demonstração experimental da transcendência filosófica.

BrainLatam — Jackson Cionek (2026). O cérebro durante a mudança — os 150 segundos de Hutcheon.

Aprofunda a interpretação dos resultados de Hutcheon e diferencia os estados inicial e final das informações produzidas durante o movimento de transformação. Fundamenta a analogia utilizada neste encerramento.


BrainLatam — Jackson Cionek (2026). A transição que nunca chega: fake news, expectativa e as '72 horas'.

Investiga o papel da expectativa, da repetição digital e da renovação de prazos em narrativas de transformação que não se concretizam. Fornece a contraposição entre uma transição fisiológica mensurada e uma mudança sustentada principalmente pela promessa.

BrainLatam — Jackson Cionek (2023). Consciência na Criação do Tempo.

Apresenta a definição BrainLatam de tempo como relação dinâmica entre espaços referenciados em movimento. É o fundamento da discussão sobre periodicidade, representações materiais, atenção e tempo vivido.


Nicolaï, C., Chaumon, M. & van Wassenhove, V. (2024). Cognitive effects on experienced duration and speed of time, prospectively, retrospectively, in and out of lockdown. Scientific Reports, 14, 2006.

Investiga como processos cognitivos se relacionam com estimativas de duração e sensação de passagem do tempo. Contribui para distinguir duração física, atenção e experiência subjetiva, sem reduzir todos os fenômenos temporais a um único mecanismo.

Teghil, A. (2024). Interoceptive and Bodily Processing in Prospective and Retrospective Timing. Current Topics in Behavioral Neurosciences.

Revisa a participação de processos corporais e interoceptivos na percepção temporal prospectiva e retrospectiva. Oferece apoio científico à investigação das relações entre metabolismo, representação e tempo vivido, sem demonstrar integralmente a Consciência 5D.

BrainLatam — Jackson Cionek (2026). Jiwasa — pertencer sem permanecer na mesma posição.

Desenvolve a possibilidade de transformar posições, conhecimentos e responsabilidades sem eliminar pertencimento. Fundamenta a interpretação da transcendência como aprendizado e movimento A → B.


BrainLatam — Jackson Cionek (2026). IA Personalíssima — a interface do Corpo-Território com o mundo digital.

Apresenta a IA Personalíssima como uma interface singular de cada Corpo-Território com instituições, dados e serviços digitais. Propõe proteger autonomia e direitos e reduzir o tempo de vida consumido pela burocracia.

BrainLatam — Jackson Cionek (2026). Quando o Bioma também entra na decisão.

Relaciona as condições ecológicas, a vida cotidiana e as métricas de desenvolvimento. Oferece o fundamento conceitual para investigar Rendimento Bioma e a participação do ambiente nas decisões institucionais.


Ailton Krenak (2022). Futuro ancestral. Companhia das Letras.

Contribui para pensar aprendizado, continuidade da vida e transformação sem exigir rompimento com os antepassados ou com o território.

Lucero González Suárez (2023). El ser del hombre a la luz del Popol Vuh. Análisis fenomenológico-hermenéutico. LiminaR. Estudios Sociales y Humanísticos.

Contextualiza as figuras do barro, madeira e milho na tradição K'iche' maia. Permite distinguir o significado dessas figuras em sua tradição da interpretação filosófica contemporânea desenvolvida pela BrainLatam.

A síntese conceitual que organiza o encerramento é:

Transcendência não exige estímulos diferentes. Pode acontecer quando o aprendizado modifica nossas representações e, diante de estímulos semelhantes, passamos a perceber possibilidades que antes não reconhecíamos.

Por isso, os 150 segundos de Hutcheon e as promessas das 72 horas oferecem um contraste metodológico importante: uma transformação observada e mensurada não é equivalente a uma transformação apenas prometida e intensamente sentida. O aprendizado também consiste em perceber essa diferença.

O Estado-Jiwasa projeta essa capacidade para as instituições: reconhecer transformações, corrigir interpretações e preservar condições para que cada Corpo-Território continue aprendendo sem perder sua autonomia.

BRAINLATAM · W43/2026 · O PROBLEMA DOS 3 CORPOS




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Jackson Cionek

New perspectives in translational control: from neurodegenerative diseases to glioblastoma | Brain States