Jackson Cionek
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Pertencimento: o verdadeiro antídoto da ansiedade

Pertencimento: o verdadeiro antídoto da ansiedade

Você se regula melhor quando não precisa se defender.

Quando falamos de ansiedade, quase sempre o foco vai para a mente:
pensamentos acelerados, preocupações, medo do futuro, dificuldade de controle.
A solução proposta costuma ser a mesma: pensar diferente, controlar melhor, se organizar mais.

Mas e se a ansiedade não fosse, na origem, um problema de pensamento?

E se ela fosse um sinal corporal de falta de pertencimento real?


Ansiedade não é excesso de pensamento. É excesso de defesa.

Do ponto de vista biológico, a ansiedade surge quando o corpo entra em modo de proteção.
É o estado em que o sistema nervoso entende que precisa:

  • se antecipar

  • se preparar

  • se defender

Isso não acontece porque você “pensou errado”.
Acontece porque o corpo não se sente seguro em relação ao ambiente ou ao grupo.

Antes de virar pensamento, a ansiedade é postura corporal, ritmo respiratório, tensão muscular, hipervigilância.

O corpo pergunta, silenciosamente:

“Aqui eu pertenço ou preciso me proteger?”


Pertencimento como Quorum Sensing Humano

Aqui entra um conceito central do nosso modelo: Pertencimento como Quorum Sensing Humano.

Em biologia, quorum sensing é a capacidade de organismos perceberem:

  • quem está ao redor

  • se há cooperação suficiente

  • se o ambiente é favorável

Nos humanos, o pertencimento funciona de forma semelhante — mas de maneira corpórea e afetiva, não racional.

Pertencer não é concordar.
Pertencer não é ser igual.
Pertencer é sentir que o corpo pode relaxar em presença de outros.

Quando o quorum sensing humano está ativo:

  • o corpo reduz alerta

  • a respiração desacelera

  • a atenção se amplia

  • a ansiedade cai naturalmente

Não por controle.
Mas por coordenação viva.


Jiwasa: quando o grupo regula (ou desregula)

O avatar Jiwasa representa a dinâmica entre corpos em tarefa compartilhada.
Ele observa o que acontece quando pessoas precisam:

  • cooperar

  • sincronizar

  • decidir juntas

  • coexistir

Jiwasa mostra algo essencial:

grupos também têm estados regulados e desregulados.

Um grupo pode estar:

  • sincronizado por confiança

  • ou sincronizado por medo

Externamente, pode parecer igual.
Internamente, o efeito sobre o corpo é oposto.

Quando a sincronia é real:

  • o corpo relaxa

  • o erro é tolerado

  • a criatividade aparece

Quando a sincronia é por pressão:

  • o corpo se contrai

  • o erro vira ameaça

  • a ansiedade cresce


Aceitação por pressão não é pertencimento

Aqui está uma das maiores confusões da vida social — especialmente na adolescência.

Ser aceito não é o mesmo que pertencer.

Aceitação por pressão acontece quando:

  • você precisa se adaptar o tempo todo

  • esconder partes de si

  • agir contra sinais do corpo

  • manter uma performance constante

O corpo percebe isso imediatamente.
E responde com tensão.

Pertencimento real é o oposto:

  • você não precisa se defender

  • o corpo encontra ritmo

  • a presença é suficiente

A ansiedade diminui não porque tudo está perfeito,
mas porque o corpo não está em ameaça social.


APUS: o corpo no espaço também pertence

O pertencimento não é apenas social.
Ele também é espacial.

O avatar APUS representa o corpo-território, a forma como o corpo se posiciona no espaço e se relaciona com o ambiente.

O corpo sente pertencimento quando:

  • tem onde pousar

  • reconhece o chão

  • percebe limites claros

  • encontra ritmos previsíveis

Ambientes caóticos, barulhentos, acelerados demais
mantêm o corpo em alerta — mesmo sem conflitos sociais.

Por isso, ansiedade não se resolve só conversando.
Muitas vezes, ela diminui quando:

  • o espaço muda

  • o ritmo desacelera

  • o corpo encontra apoio


Corpo no espaço, grupo no ritmo

Quando APUS e Jiwasa se alinham, algo poderoso acontece.

O corpo encontra:

  • um lugar onde estar

  • um grupo com quem sincronizar

Nesse estado:

  • a respiração se ajusta

  • o tempo interno desacelera

  • a atenção se distribui melhor

Isso é Zona 2 coletiva.

Não é euforia.
Não é empolgação constante.
É coordenação sem esforço.


Zona 2 coletiva vs. Zona 3 social

A Zona 2 coletiva é marcada por:

  • cooperação espontânea

  • silêncio confortável

  • erro sem punição

  • presença sem performance

Já a Zona 3 social acontece quando:

  • o grupo funciona por ideologia rígida

  • há medo de exclusão

  • a diferença vira ameaça

  • o corpo se silencia

Na Zona 3 social:

  • a ansiedade cresce

  • o pensamento acelera

  • a criatividade cai

  • o pertencimento é substituído por obediência

O corpo sabe a diferença — mesmo quando a mente tenta negar.


Um caminho simples para reduzir ansiedade agora

Sem técnicas complexas.
Sem tentar “controlar a mente”.

Algumas perguntas corporais:

  • Aqui eu posso relaxar ou preciso me defender?

  • Meu corpo está tentando se adaptar demais?

  • Esse grupo me regula ou me tensiona?

Pequenas ações práticas:

  • mudar de posição no espaço

  • sair de ambientes de pressão contínua

  • buscar ritmos compartilhados simples (caminhar, respirar, escutar)

  • permitir silêncio sem justificativa

Isso não é fuga social.
É regulação biológica.


O ponto central

Ansiedade não diminui quando você pensa melhor.
Ela diminui quando o corpo para de se defender.

E o corpo só para de se defender quando sente:

  • pertencimento real

  • coordenação viva

  • espaço seguro

  • ritmo compartilhado

Ou, em uma frase para guardar:

Você se regula melhor quando não precisa se defender.

Quando o corpo pertence,
a mente encontra descanso.


Referências científicas (pós-2020):

  1. Balconi, M., Angioletti, L., & Amenta, S. (2024).
    Sincronização inter-cerebral durante a interocepção: uma abordagem de hiperscanning multimodal baseada em coerência EEG–fNIRS.
    Neuroscience & Biobehavioral Reviews.
    — Estudo que combina EEG e fNIRS para demonstrar que a atenção interoceptiva (ex.: foco na respiração) modula a coerência neural entre indivíduos, sustentando a ideia de regulação coletiva e coordenação social corporal.

  2. Chen, X., Liu, Y., & Zhang, D. (2024).
    Reconhecimento de emoções baseado em EEG–fNIRS utilizando redes de convolução em grafos e atenção por cápsulas.
    Brain Sciences.
    — Demonstra que estados emocionais e afetivos podem ser identificados de forma objetiva por meio da integração EEG + fNIRS, reforçando que emoções sociais têm base neurofisiológica mensurável.

  3. Nozawa, T., et al. (2021).
    Sincronização neural interpessoal durante interação social: um estudo de hiperscanning com EEG e fNIRS.
    NeuroImage.
    — Evidencia que interações cooperativas produzem sincronização neural entre cérebros, apoiando empiricamente o conceito de pertencimento como Quorum Sensing Humano e a noção de Zona 2 coletiva.

  4. Koike, T., Tanabe, H. C., & Sadato, N. (2021).
    Desenhos experimentais em neuroimagem por hiperscanning para pesquisa em interação social: uma revisão.
    NeuroImage.
    — Revisão metodológica que consolida o uso de EEG e fNIRS para estudar dinâmicas sociais em tempo real, validando a investigação científica da coordenação grupal e do pertencimento.

  5. Tachtsidis, I., & Scholkmann, F. (2021).
    Falsos positivos e falsos negativos na espectroscopia funcional no infravermelho próximo (fNIRS): desafios, limites e caminhos futuros.
    Neurophotonics.
    — Atualiza critérios de validade e interpretação de dados fNIRS, fortalecendo sua aplicação em estudos de emoção, regulação corporal e contextos sociais naturais.


Como essas referências sustentam o Blog

  • Pertencimento reduz ansiedade → evidenciado por sincronização neural interpessoal (EEG/fNIRS) em contextos cooperativos.

  • Pertencimento é corporal e rítmico, não apenas cognitivo → coerência neural e hemodinâmica refletem coordenação viva, não obediência por pressão.

  • Zona 2 coletiva é mensurável → padrões de sincronização inter-cerebral diferenciam cooperação regulada de interação defensiva.

  • Ansiedade como estado de defesa social → grupos desregulados exibem padrões neurais distintos de grupos em coordenação segura.







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Jackson Cionek

New perspectives in translational control: from neurodegenerative diseases to glioblastoma | Brain States