FALAN 2026 e o nascimento de uma escola latino-americana de neurociência
FALAN 2026 e o nascimento de uma escola latino-americana de neurociência
Um pequeno experimento antes de falar de ciência
Antes de continuar lendo, faça algo simples.
Abra um mapa da América Latina.
Agora imagine milhares de pesquisadores espalhados por esse território:
Brasil.
Chile.
México.
Peru.
Argentina.
Colômbia.
Uruguai.
Todos estudando o cérebro humano.
Latin American School of Neuroscience
Mas durante décadas a maioria deles foi formada a partir de modelos científicos vindos principalmente da Europa e dos Estados Unidos.
Agora pense nesta pergunta:
é possível compreender plenamente o cérebro humano sem desenvolver também um ecossistema científico próprio na região?
Essa pergunta está no centro de uma mudança importante que começa a ganhar forma na América Latina.
E FALAN 2026 pode representar um passo decisivo nessa direção.
O que é a FALAN
A Federación Latinoamericana y del Caribe de Neurociencias (FALAN) conecta as sociedades de neurociência de toda a região.
Ela reúne pesquisadores de diversas organizações nacionais, como:
SBNeC (Brasil)
SAN (Argentina)
Sociedad Chilena de Neurociencia
SNU (Uruguai)
SMCF (México)
SONEP (Peru)
Além de congressos, a federação tem um objetivo maior:
fortalecer a formação científica e a colaboração em neurociência na América Latina.
Em 2026 esse objetivo se torna especialmente visível.
Experimento 1 — Um continente aprendendo junto
Imagine um grupo de jovens neurocientistas vindos de:
Cusco
Valparaíso
São Paulo
Buenos Aires
Bogotá
Durante algumas semanas eles trabalham juntos.
Discutem ideias.
Comparam dados.
Aprendem novas metodologias.
Isso é exatamente o que propõe o First FALAN Latin American Training Program in Neuroscience, que ocorrerá de 10 de agosto a 5 de setembro de 2026, em universidades chilenas.
Os participantes terão aulas, workshops e atividades colaborativas.
Ao final, participarão do IV FALAN Congress em Santiago.
Ou seja:
a formação e o congresso passam a funcionar como um único ecossistema de aprendizado.
Experimento 2 — Quando redes científicas entram em sincronia
Agora imagine algo parecido com o que acontece entre cérebros humanos.
Quando duas pessoas cooperam intensamente, suas atividades neurais podem se sincronizar.
Algo semelhante acontece com redes científicas.
Quando pesquisadores de diferentes países começam a colaborar:
métodos se espalham
ideias circulam mais rápido
novos projetos emergem
Estudos sobre redes científicas mostram que a colaboração internacional acelera inovação e produção de conhecimento (Wagner & Jonkers, 2017).
Em certo sentido, poderíamos dizer que a ciência também forma redes sincronizadas de inteligência coletiva.
Experimento 3 — O nascimento de um ecossistema científico regional
Durante muito tempo, muitos pesquisadores latino-americanos precisaram sair da região para ter acesso a redes científicas fortes.
Mas iniciativas como a escola da FALAN apontam para um cenário diferente.
Quando formação, congresso e colaboração regional se conectam, surge algo novo:
um ecossistema científico próprio.
Isso significa que estudantes e pesquisadores podem desenvolver ciência relevante a partir do contexto latino-americano, dialogando com:
diversidade cultural
desafios sociais
realidades ambientais da região
Por que isso importa para a ciência do cérebro
O cérebro humano não evoluiu em isolamento.
Ele evoluiu em ambientes complexos, culturais e sociais.
Por isso, compreender a mente humana exige também compreender:
contextos culturais
relações sociais
ambientes de vida
A ciência produzida em diferentes regiões pode trazer novas perguntas e perspectivas sobre esses temas.
Nesse sentido, fortalecer a neurociência latino-americana não é apenas uma questão regional.
É uma contribuição potencial para uma ciência mais diversa e mais completa da mente humana.
Um último experimento
Imagine novamente o mapa da América Latina.
Agora imagine jovens pesquisadores conectados entre si através de escolas, congressos e projetos científicos.
Cada um trabalhando em um laboratório diferente.
Mas todos compartilhando perguntas comuns sobre o cérebro, a mente e a consciência.
Talvez seja isso que FALAN 2026 esteja começando a construir:
uma rede continental de inteligência científica.
E quando redes se conectam, algo interessante acontece.
Assim como entre cérebros humanos, novas formas de conhecimento podem emergir.
Referências
Damasio, A. (2021). The feeling of life itself and the construction of consciousness. Nature Reviews Neuroscience.
Henrich, J. (2020). The WEIRDest People in the World. Farrar, Straus and Giroux.
Khalsa, S. S., et al. (2022). Interoception and mental health: A roadmap. Biological Psychiatry.
Liu, D., et al. (2023). Inter-brain synchronization during social interaction. Nature Human Behaviour.
Pereira Jr., A., & Furlan, F. A. (2021). Triple-aspect monism and the science of consciousness. Frontiers in Psychology.
Wagner, C. S., & Jonkers, K. (2017). Open countries have strong science. Nature.
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