Jackson Cionek
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Liberdade de Expressão do DNA e Estado Laico DANA na nova Constituição Chilena

Liberdade de Expressão do DNA e Estado Laico DANA na nova Constituição Chilena


1. Por que falar de DNA quando falamos de Constituição?

Quando alguém busca no Google “Constituição Chilena” ou “nueva constitución de Chile”, quase nunca aparece uma pergunta simples e radical:

O que o corpo precisa para se expressar plenamente, do DNA até a consciência?

Se a Constituição é o “manual de uso” de um país, ela não deveria ser escrita apenas para proteger opiniões, partidos ou religiões. Ela precisa proteger algo ainda mais básico: a liberdade de expressão do DNA – a possibilidade de cada corpo, com sua carga genética e história, viver em ambientes que permitam o florescimento de suas capacidades físicas, cognitivas, afetivas e espirituais.

Aqui entra o conceito de Estado Laico DANA:

  • um Estado que não escolhe religião,

  • mas reconhece a espiritualidade como dimensão real da saúde,

  • e protege a liberdade de cada pessoa experimentar sua própria relação com sentido, pertencimento e transcendência, sem doutrinação.

Na nova Constituição Chilena, isso significa ir além do “Estado laico” genérico: é reconhecer que leis podem adoecer ou favorecer a expressão do DNA – por meio do ambiente, do estresse crônico, da desigualdade, da violência simbólica e até da imposição religiosa.


2. O aspecto único deste blog:

Liberdade de expressão do DNA = ambiente + corpo + consciência + espiritualidade neutra

Vou concentrar o texto inteiro em um único aspecto:

Uma Constituição só é realmente democrática se proteger a liberdade do corpo (DNA) se expressar, do nível biológico ao espiritual – sem que nenhuma religião ou ideologia capture essa experiência.

Isso significa três coisas:

  1. Biologia não é destino, é potencial.
    A epigenética mostra que experiências de cuidado, estresse, nutrição, violência ou apoio deixam marcas químicas duradouras na expressão dos genes ligados à resposta ao estresse, ao humor, à cognição.

  2. A mente é corpo em relação.
    A neurociência da interocepção mostra que aquilo que chamamos “sentir” é a leitura que o cérebro faz dos estados internos do corpo, regulando emoções, tomada de decisão e sentido de si.

  3. Espiritualidade é determinante de saúde.
    Estudos recentes em saúde pública tratam espiritualidade e religiosidade como determinantes sociais de saúde: influenciam bem-estar, adesão ao cuidado, suporte social e sentido de vida.

Quando eu falo em DANA (espiritualidade neutra baseada na inteligência do DNA), estou propondo isso:

  • não um Estado que promove uma doutrina religiosa,

  • mas um Estado que reconhece que o DNA programa um corpo capaz de buscar sentido,

  • e que essa busca não pode ser sequestrada por instituições religiosas ou ideológicas.


3. O que a ciência nos diz: o DNA escuta o mundo

3.1. Epigenética: quando o ambiente escreve em cima do gene

Pesquisas clássicas de Weaver, Meaney e colaboradores mostraram que, em roedores, diferenças no cuidado materno (lamber, acolher, proteger) alteram quimicamente a expressão de genes ligados à resposta ao estresse nos filhotes, através de metilação de DNA e modificações de histonas. 

Essas alterações:

  • mudam como o sistema de estresse responde ao longo da vida;

  • podem ser mantidas de forma estável;

  • em alguns casos, são reversíveis com intervenções ambientais ou farmacológicas.

Outros trabalhos ampliaram essa visão, mostrando assinaturas epigenéticas amplas associadas à qualidade do cuidado e ao estresse precoce, com impacto em comportamento, vulnerabilidade a transtornos mentais e saúde física ao longo da vida. 

Pesquisadores em biologia evolutiva, como Jablonka, Lamb e Burggren, defendem que essa herança epigenética é parte importante da evolução: o ambiente deixa “anotações” sobre como sobreviver melhor, que podem atravessar gerações.

Tradução constitucional disso:

As políticas do Estado – em educação, saúde, trabalho, habitação, religião – não são neutras: elas modulam direta ou indiretamente a expressão do DNA e a saúde de gerações futuras.

Se uma Constituição autoriza:

  • pobreza crônica,

  • violência policial sistemática,

  • discriminação étnica ou religiosa,

  • destruição de biomas que garantem água, ar, comida, clima,

ela também está autorizando marcações epigenéticas tóxicas em crianças que nem nasceram.

3.2. Interocepção: a consciência vem do corpo

Trabalhos de Berntson, Khalsa e outros mostram como os sinais internos do corpo (batimentos cardíacos, respiração, estado visceral) são integrados em circuitos que vão do tronco encefálico ao córtex insular e pré-frontal, sustentando emoções, tomada de decisão e autorregulação. 

Outra revisão importante, de Chen e colegas, apresenta a “ciência emergente da interocepção”: entender esses circuitos é chave para tratar ansiedade, depressão, transtornos alimentares e outras condições em que a leitura do corpo está distorcida.

Conexão com a Mente Damasiana:

  • A mente não é só cérebro: é o diálogo entre interocepção (sensações internas) e propriocepção (posição e movimento do corpo).

  • Cultura, normas e religião interferem nesse diálogo: podem favorecer a escuta do corpo ou silenciá-lo (culpa, medo, vergonha, repressão).

Se o Estado apoia uma religião que demoniza o corpo, por exemplo:

  • desejos naturais viram pecado,

  • emoções básicas são rotuladas como fraqueza,

  • práticas culturais de cuidado são proibidas,

isso interfere diretamente na interocepção, alterando como o corpo é sentido por dentro e como a mente se organiza.

3.3. Espiritualidade como determinante de saúde – mas não como imposição de Estado

Estudos recentes, como os de Long et al. (2024), argumentam que espiritualidade deve ser tratada explicitamente como determinante de saúde, pois está associada a bem-estar, enfrentamento de doenças e apoio social. 

Ao mesmo tempo, autores em saúde pública destacam que religião e espiritualidade foram ignoradas por muito tempo em políticas sanitárias, como se fossem apenas “assunto privado”. 

Mas há um equilíbrio delicado:

  • reconhecer que espiritualidade é importante
    não significa transformar o Estado em braço de uma religião específica.

Aqui entra o Estado Laico DANA:

  • laico, porque não adota nem privilegia doutrina religiosa;

  • DANA, porque reconhece a inteligência do DNA: o corpo, desde o embrião, é programado para buscar vínculos, sentido, pertencimento, cuidado;

  • e garante liberdade para cada um viver essa busca sem coerção.


4. O que isso significa, na prática, para a Constituição Chilena?

Vamos traduzir isso em imagens bem concretas.

4.1. Liberdade de expressão do DNA na infância

Uma Constituição comprometida com a liberdade de expressão do DNA precisa:

  • proteger a primeira infância com políticas que garantam

    • alimentação adequada,

    • cuidado afetivo,

    • segurança física e emocional,

    • tempo de brincadeira e convivência real (fora das telas);

  • impedir que escolas ou instituições religiosas imponham medos e culpas que rompem a relação natural da criança com o próprio corpo.

Isso vale para:

  • educação sexual baseada em ciência, não em dogma;

  • proibição de práticas punitivas físicas e psicológicas;

  • limites claros para doutrinação religiosa em escolas, mesmo “confessionais”.

4.2. Liberdade espiritual sem captura religiosa

O Estado Laico DANA não é anti-espiritual; ele é anti-captura.

  • Ele protege o direito de cada pessoa não ter religião;

  • protege o direito de ter qualquer religião,

  • e protege o direito de viver uma espiritualidade pessoal, baseada na experiência do corpo, da natureza, do silêncio, sem templo nem hierarquia.

Isso implica:

  • nenhuma religião pode definir currículos obrigatórios da escola pública;

  • nenhum grupo pode usar recursos públicos para doutrinação;

  • o Estado pode apoiar espaços de cuidado espiritual plural (ex.: espaços de silêncio, de contato com natureza, de rituais neutros de passagem, luto, nascimento), sem símbolos e dogmas particulares.

4.3. Políticas públicas como cuidado epigenético

Se o DNA responde ao ambiente, a política pública é, na prática, intervenção epigenética em massa.

  • Moradia digna, transporte humano, trabalho não exploratório, tempo para descanso e convivência, tudo isso influencia expressão gênica ligada ao estresse, imunidade, metabolismo.

Uma Constituição que assume essa responsabilidade:

  • não trata direitos sociais como “gasto”,

  • mas como investimento na expressão saudável do DNA coletivo.


5. Ligando com DANA: um Estado que protege a experiência espiritual como saúde

O que é DANA, aqui?

  • É a ideia de que o DNA carrega uma inteligência de sobrevivência e de pertencimento;

  • essa inteligência busca estados de fruição, sentido e conexão, que muitas culturas chamam de espiritualidade;

  • o papel do Estado não é “dizer qual é a religião certa”, mas garantir que nenhuma religião, ideologia ou corporação capture essa busca.

Num Chile em disputa de narrativas (laico ou confessional? plurinacional ou monocultural? mercado ou vida?), o Estado Laico DANA oferece uma saída:

  • laicidade forte (nenhuma religião manda no Estado);

  • reconhecimento de que espiritualidade, cultura e pertencimento são determinantes de saúde;

  • proteção ativa da infância e dos corpos contra práticas religiosas e ideológicas que geram trauma, culpa paralizante, medo constante.


6. Proposta de artigo para a nova Constituição Chilena

(rascunho em espanhol, para entrar como norma)

Propuesta de artículo – Libertad de expresión del cuerpo y del ADN

  1. El Estado chileno es laico y no podrá establecer, sostener ni privilegiar religión alguna.

  2. El Estado reconoce que la integridad del cuerpo, la mente y la búsqueda de sentido espiritual son dimensiones esenciales de la salud y del bienestar.

  3. Toda persona tiene derecho a vivir, desde la gestación y a lo largo de la vida, en entornos que favorezcan el desarrollo saludable de sus capacidades físicas, cognitivas, afectivas y espirituales, libres de violencia, coerción religiosa, discriminación y humillación.

  4. Las políticas públicas en educación, salud, trabajo, vivienda, comunicación y ambiente deberán orientarse a reducir el estrés tóxico, la pobreza extrema, la violencia estructural y toda forma de discriminación que afecte negativamente la expresión biológica y psicosocial de las personas y de las futuras generaciones.

  5. El Estado garantizará espacios de cuidado y acompañamiento espiritual neutros, respetuosos de la diversidad de creencias y de la libertad de no creer, sin símbolos ni doctrinas obligatorias.


7. Oito publicações científicas que sustentam este blog (comentadas)

  1. Berntson, G. G., & Khalsa, S. S. (2021). Neural Circuits of Interoception.
    Revisão dos circuitos neurais que levam sinais do corpo ao cérebro, mostrando como interocepção organiza emoções, regulação autonômica e tomada de decisão.

  2. Chen, W. G. et al. (2021). The Emerging Science of Interoception: Sensing, Integrating, and Interpreting Bodily Signals.
    Apresenta a interocepção como base para entender transtornos emocionais e cognitivos, reforçando que políticas que afetam o corpo (estresse, pobreza) afetam diretamente a saúde mental.

  3. Weaver, I. C. G. et al. (2004). Epigenetic programming by maternal behavior. Nature Neuroscience.
    Demonstra que variações no cuidado materno alteram quimicamente a expressão de genes ligados ao estresse em filhotes, com efeitos duradouros e parcialmente reversíveis.

  4. McGowan, P. O. et al. (2011). Broad Epigenetic Signature of Maternal Care in the Brain of Adult Rats. PLOS ONE.
    Mostra um “retrato epigenético” amplo de como o cuidado recebido na infância se inscreve no cérebro adulto, associando ambiente precoce a vulnerabilidade futura.

  5. Zhang, T. Y., & Meaney, M. J. (2013). Epigenetic Mechanisms for the Early Environmental Regulation of Gene Expression in the Brain. Neuropsychopharmacology.
    Revisão sólida conectando experiências precoces, epigenética e desenvolvimento de modelos de resiliência ou vulnerabilidade.

  6. Burggren, W. (2016). Epigenetic Inheritance and Its Role in Evolutionary Biology.
    Discute como herança epigenética contribui para a evolução e reforça que o ambiente social e ecológico deixa marcas hereditárias relevantes.

  7. Jablonka, E. (2017). The evolutionary implications of epigenetic inheritance. Interface Focus.
    Argumenta que heranças epigenéticas devem ser incorporadas aos modelos evolutivos, aproximando biologia de cultura e ambiente em um sistema único de informação.

  8. Long, K. N. G. et al. (2024). Spirituality As A Determinant Of Health: Emerging Policies, Practices, And Systems. Health Affairs.
    Propõe explicitamente que espiritualidade seja reconhecida como determinante social de saúde, com implicações para políticas públicas e sistemas de saúde. 





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