Uma estrutura otimizada para EEG-fMRI simultâneos a 7T, permitindo imagens cerebrais humanas seguras e de alta qualidade com resolução temporal de milissegundos e resolução espacial submilimétrica
Uma estrutura otimizada para EEG-fMRI simultâneos a 7T, permitindo imagens cerebrais humanas seguras e de alta qualidade com resolução temporal de milissegundos e resolução espacial submilimétrica.
Sainz Martinez et al., Imaging Neuroscience, 2025
Pergunta científica central
O estudo responde a uma pergunta muito clara e estratégica para a neurociência contemporânea: é possível realizar EEG-fMRI simultâneo em 7 Tesla com segurança, qualidade de sinal e sensibilidade funcional suficientes para aplicações humanas reais (básicas e clínicas)?
Em outras palavras, o trabalho investiga se o ganho extremo de resolução espacial do 7T pode coexistir com a precisão temporal do EEG sem que uma modalidade inviabilize a outra.

Uma estrutura otimizada para EEG-fMRI simultâneos a 7T, permitindo imagens cerebrais humanas seguras e de alta qualidade com resolução temporal de milissegundos e resolução espacial submilimétrica
O experimento
Os autores desenvolvem e testam um framework tecnológico completo de EEG-fMRI em 7T, integrando três avanços-chave:
Configuração EEG compacta, com cabos curtos para reduzir indução de artefatos.
Sensores de referência, permitindo correção ativa de artefatos (gradiente, pulso, movimento).
Cadeia de transmissão adaptada, compatível com bobinas RF densas de última geração, essenciais para fMRI submilimétrico.
Dois protótipos são comparados: um adaptado em laboratório e outro industrial (BrainCap MR7Flex), avaliados em humanos saudáveis quanto a segurança térmica, qualidade de EEG, qualidade de MRI e sensibilidade funcional (estado de repouso e olhos abertos/fechados).
Por que este experimento responde bem à pergunta
O desenho é particularmente robusto porque:
compara aquisições com e sem EEG no mesmo sujeito, isolando o impacto real do EEG sobre o fMRI;
testa protocolos exigentes (fMRI submilimétrico, SMS, análises funcionais reais);
avalia não apenas SNR, mas métricas funcionais relevantes (redes em repouso, fALFF, conectividade, ICA, modulação alfa-BOLD).
Isso permite concluir não apenas que “funciona”, mas em que limites funciona.
Principais resultados (síntese objetiva)
Segurança: nenhuma evidência de risco térmico ou violação de SAR em protocolos GE-EPI, mesmo em alta resolução.
MRI: perdas moderadas de SNR (≈15–25%), principalmente associadas a perturbações de B1, mas sem prejuízo detectável da sensibilidade funcional em repouso.
EEG: artefatos severos iniciais são amplamente mitigáveis; após correção, os sinais preservam assinaturas canônicas, como alfa em repouso, microestados e modulação olhos-abertos/fechados.
Integração EEG-fMRI: correlações robustas entre potência alfa e BOLD occipital confirmam acoplamento neurovascular funcionalmente significativo, mesmo em 7T.
O protótipo MR7Flex apresenta desempenho consistentemente superior, indicando maturidade tecnológica para disseminação.
Leitura BrainLatam – Corpo, APUS e temporalidade
Do ponto de vista BrainLatam, este trabalho é crucial porque reconecta tempo e espaço no cérebro humano vivo. O EEG preserva a dinâmica corporal-temporal (ritmo, transições, estados), enquanto o fMRI em 7T revela a arquitetura espacial fina onde esses estados se organizam.
Isso abre caminho para estudar APUS (propriocepção estendida) e dinâmicas de rede corporificadas em escalas antes inacessíveis — por exemplo, camadas corticais, trajetórias de propagação e regimes de estabilidade/desestabilização neural.
Limites e próximos passos
Os próprios autores deixam claro que:
sequências com maior carga RF (SE-EPI, MP2RAGE, ASL, VASO) exigem cautela adicional;
estudos baseados em tarefas e análises laminares ainda precisam validação dedicada;
há espaço para melhorias via parallel transmit (pTx) e novos materiais de eletrodos.
Esses limites não enfraquecem o estudo — ao contrário, delimitam com precisão onde está o próximo experimento necessário.
Síntese final
Este trabalho estabelece um marco metodológico: o EEG-fMRI em 7T deixa de ser um experimento de nicho e passa a ser uma plataforma viável para neurociência humana avançada.
Não se trata apenas de melhorar imagens, mas de permitir novas perguntas científicas, onde milissegundos e submilímetros coexistem para investigar consciência, epilepsia, redes de repouso, interocepção e dinâmica cortical fina.
Em termos BrainLatam:
quando o método respeita o corpo, o corpo volta a falar — no tempo e no território certos.
Ref.:
Martinez, C. S., Wirsich, J., Jäger, C., Warbrick, T., Vulliémoz, S., Lemay, M., Bastiaansen, J., Wiest, R., & Jorge, J. (2025). An optimized framework for simultaneous EEG-fMRI at 7T enabling safe, high-quality human brain imaging with millisecond temporal resolution and sub-millimeter spatial resolution. Imaging Neuroscience. https://doi.org/10.1162/imag.a.983
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